Se você está estudando para concurso público e sente que as provas estão mais difíceis do que eram há alguns anos, essa percepção não é exagero. Os concursos públicos realmente ficaram mais exigentes, mas a explicação para isso vai além do que a maioria imagina quando atribui tudo à crueldade das bancas.
Participei de um episódio do Podpassar Podcast e, em determinado momento, o Victor comentou sobre cobranças que apareceram em provas recentes: uma banca cobrando um atalho de teclado pouquíssimo utilizado, outra explorando jurisprudência que tinha acabado de sair… questões que não perguntam mais a regra, mas a exceção da exceção. Aquele detalhe que durante muito tempo quase ninguém estudava porque era específico demais aparecer na prova.
Enquanto ele falava, lembrei de uma frase que meu pai disse alguns anos atrás. Na época eu já estava produzindo os Mapas da Lulu e ele, todo coruja, disse: “Você está fazendo os concursos ficarem mais difíceis.” Na hora eu ri. Só que, quanto mais tempo passa, mais acho que ele estava certo.
O acesso à preparação mudou tudo
Quando comecei a estudar, em 2017, já existiam excelentes cursos e ótimos professores. Mas muita coisa ainda dependia de você conhecer a pessoa certa, descobrir um material de qualidade por indicação ou morar em uma cidade com acesso a um bom curso preparatório.
Hoje o cenário é completamente diferente. Basta um celular e uma conexão com a internet para assistir às melhores aulas de qualquer lugar do Brasil e resolver milhares de questões sem sair de casa. Existem plataformas que organizam seu desempenho, ferramentas de revisão, inteligência artificial, comunidades inteiras discutindo jurisprudência nova no mesmo dia em que ela é publicada. Centenas de pessoas compartilham gratuitamente estratégias de estudo que levaram anos para desenvolver.
O efeito direto disso foi um: o nível médio do concurseiro começou a subir.
Para estar no páreo por uma vaga, já não dá mais para ignorar a importância de um ciclo de estudos bem estruturado, de metodologias comprovadas para melhorar o aprendizado, de manter a constância. Essas coisas deixaram de ser um diferencial. Passaram a fazer parte do básico para quem quer se aproximar de uma aprovação.
A banca continua fazendo o mesmo trabalho de sempre
Tem uma questão que caiu na minha prova da Sefaz SC que nunca esqueci. Era sobre a alíquota da carne de rã. Sim, isso mesmo. Até hoje me pergunto por que aquilo.
Felizmente, eu tinha ouvido uma aula voltando do trabalho em que o professor comentou justamente esse detalhe. Por algum motivo, aquilo ficou gravado na memória e acabei acertando.
Na época, saí da prova achando que a banca só queria dificultar a vida de quem estava ali. Olhando para isso hoje, percebo que a lógica é outra.
O objetivo das bancas organizadoras não é cobrar curiosidades ou surpreender com assuntos exóticos. A função delas continua sendo exatamente a mesma de sempre: diferenciar quem está fazendo a prova. Só que essa tarefa ficou mais difícil.
Quando quase todo mundo domina o básico, uma questão cobrando apenas a regra geral deixa de separar candidatos. Se praticamente todos acertam, ela perde o poder de classificação. É justamente aí que começam a aparecer perguntas que exigem um raciocínio mais refinado.
Isso não significa que todas as bancas acertem a mão. Ainda existem questões que realmente exageram na especificidade. Mas, de forma geral, o aumento da dificuldade acompanha uma mudança no nível de preparação dos próprios candidatos.
Por que os concursos públicos estão mais difíceis: o que você faz com essa informação
A régua subiu. Reclamar disso não faz a prova ficar mais fácil, assim como ignorar essa mudança não faz ela deixar de existir.
A preparação precisa acompanhar a prova que você vai fazer hoje, não a prova que existia alguns anos atrás. Quanto antes você aceitar isso, mais cedo consegue direcionar sua energia para o que realmente aumenta suas chances de aprovação.
Difícil e impossível não são sinônimos. O cenário ficou mais exigente, mas a vaga continua existindo. Continue aprimorando a preparação, corrigindo os pontos fracos e evoluindo um passo de cada vez. É assim que a distância entre onde você está hoje e a vaga que busca vai diminuindo.
Quer saber mais?
Falando nisso, o episódio que participei do podcast está disponível no Youtube! Lá eu contei como comecei no mundo dos concursos, os erros que cometi, por que criei os Mapas da Lulu e também sobre como funcionam os meus “Estude Comigo”, um projeto que acabou transformando não apenas a minha rotina, mas também a de milhares de concurseiros.
Se você tem curiosidade para entender como a forma de estudar que compartilho com você aqui foi construída durante a minha jornada como concurseira, vale assistir! Até a próxima!
Quer acelerar sua revisão para o concurso?
Os Mapas da Lulu são mapas mentais prontos, organizados por disciplina, criados especialmente para concurseiros que querem revisar mais em menos tempo. Em vez de montar seu próprio material do zero, você estuda com um resumo visual já estruturado, focando sua energia no que realmente importa: fixar o conteúdo.








