Saber como montar uma rotina de concurseiro trabalhando 40 horas semanais é um dos desafios mais comuns de quem decide encarar um concurso sem abrir mão do emprego. A maioria das histórias de aprovação omite exatamente esse detalhe: a pessoa também tinha trabalho, compromissos e uma vida acontecendo ao mesmo tempo. A Bruna Mancuzo tinha tudo isso e, mesmo assim, foi aprovada em um concurso da área fiscal.
Ela é engenheira química, tem mestrado e dez anos de carreira na iniciativa privada, parte deles atuando com desenvolvimento de software. Começou a se preparar para o cargo dos sonhos em dezembro de 2022 e manteve uma carga de estudo de 30 horas por semana durante o pré-edital, chegando a 35 horas na fase pós-edital — tudo isso conciliando uma jornada CLT de 40 horas semanais.
O que tornou isso possível não foi um método secreto, mas sim uma estrutura de rotina construída com cuidado, ajustada ao longo do tempo e sustentada por hábitos simples repetidos todos os dias. Neste artigo, conto como ela fez isso e o que você pode adaptar para a sua preparação.
A estrutura que sustentou 30 horas de estudo por semana
A Bruna acordava às 4h40, tomava o café da manhã com calma e sentava para estudar às 5h45. Às 8h59, um alarme tocava e ela trocava de computador para começar o expediente de trabalho.
Ela trabalhava em home office. Isso eliminou o tempo de deslocamento, o que faz diferença real na preparação. Mas o home office também impõe um desafio próprio: quando estudo, trabalho e descanso acontecem no mesmo ambiente, o cérebro perde os gatilhos naturais que marcam o início e o fim de cada atividade.
Assim, o alarme e a troca de computador eram a solução dela para esse problema. Ambos eram sinais físicos e concretos que diziam ao cérebro: essa etapa acabou; a próxima começa agora.
Nesse mesmo sentido, dormir entre 20h30 e 21h também era parte da estratégia. O sono estava no centro da rotina: era um dos pilares, e não o que sobrava depois de tudo.
Como montar rotina de concurseiro trabalhando exige atenção ao corpo
Academia, pilates e yoga apareciam entre cinco e seis vezes por semana, em sessões de 40 a 60 minutos. Já os treinos mais longos ficavam para o fim de semana.
Não era luxo nem excesso. Era parte do que mantinha o corpo funcionando para suportar a carga de estudos. Quem tenta cortar o exercício para ganhar mais horas de estudo costuma perceber, algumas semanas depois, que a qualidade do estudo caiu junto. Ou seja, dar atenção ao corpo físico é tão necessário quanto qualquer outro aspecto da rotina.
A lógica por trás da consistência diária
Para a Bruna, cumprir a carga de estudos durante a semana tinha uma recompensa concreta: chegar ao fim de semana com tempo para descansar de verdade, sem a sensação de dívida acumulada.
Quando isso não acontecia, ela percebia o efeito direto: tentar compensar no sábado e no domingo fazia a semana seguinte começar já com um cansaço extra.
Com o tempo, ficou claro que a consistência diária produzia resultados muito melhores do que alternar períodos de alta produtividade com maratonas para recuperar o atraso. Não é uma ideia nova, mas vivenciar isso na prática com certeza muda a forma como você organiza os dias.
O problema das revisões e como ela resolveu
A Bruna começou fazendo ciclo de estudos e seguindo planejamento. O gargalo apareceu nas revisões: ela deixava para revisar depois, e nesse depois, já tinha esquecido boa parte do que estudou.
A partir desse diagnóstico, ela passou a combinar diferentes ferramentas ao longo da preparação: revisões por questões, baterias específicas e acompanhamento de consultoria para corrigir a rota e organizar prioridades. Os Mapas da Lulu também entraram como apoio para ajudar a estruturar as informações visualmente e fixar melhor o conteúdo estudado.
Ela também passou a registrar horas de estudo e quantidade de questões resolvidas. Não por burocracia, mas porque medir o desempenho dá parâmetros objetivos para entender onde está tendo evolução, onde trava e o que precisa ser ajustado.
Usando as provas como diagnóstico
A primeira prova que a Bruna fez foi da SEFAZ MT, usada conscientemente como aprendizado. Ela foi eliminada pela banca. Em vez de interpretar aquilo como um sinal de incapacidade, usou a experiência como diagnóstico.
Na prova seguinte, para o ISS-SP, não foi eliminada pela banca — foi eliminada pela concorrência. Para quem está de fora, parece um detalhe pequeno. Para quem está dentro da preparação, é uma confirmação de que a evolução está acontecendo.
Nas provas seguintes, vieram as aprovações.
O que a história da Bruna mostra sobre aprovação em concurso
Quando vemos uma lista de aprovados, é fácil imaginar que existe alguma característica extraordinária por trás daqueles nomes. A história da Bruna mostra o contrário: a aprovação foi construída por hábitos simples, repetidos todos os dias, mesmo quando ninguém estava olhando.
Acordar cedo, dormir no horário, fazer exercício, revisar o que estudou, medir o próprio desempenho. Nada disso é segredo. O difícil — e o que separa quem aprova de quem não aprova — é sustentar esses hábitos por tempo suficiente para que eles produzam resultado.
Se você está tentando encaixar os estudos em uma rotina de trabalho, talvez o que esteja faltando não seja uma nova técnica. Pode ser apenas dar mais espaço a um hábito que você já sabe que funciona, mas ainda não conseguiu manter por tempo suficiente.
Quer saber mais sobre a história da Bruna?
Ficou curioso para saber todos os detalhes da trajetória da Bruna nos concursos? Assista à entrevista completa dela:
Até a próxima!
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