Precisa Ser Um Gênio Para Ser Aprovado em Concurso?
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Uma das dúvidas mais comuns entre concurseiros surge logo no início da preparação e, muitas vezes, antes mesmo de abrir o primeiro PDF:
“Eu nunca fui um bom aluno. Será que consigo ser aprovado em concurso?”
Essa insegurança é mais comum do que parece. Afinal, crescemos sendo avaliados o tempo todo: notas na escola, desempenho na faculdade, comparações silenciosas (ou nem tão silenciosas assim). Com o tempo, vamos acumulando uma espécie de “histórico de evidências”, muitas vezes injustas, que usamos para medir nossa própria capacidade.
O problema é que essas evidências nem sempre dizem a verdade.
O peso do mindset fixo
Aqui entra um conceito que eu adoro e que sempre faço questão de trazer: o mindset, da Carol Dweck.
Quando alguém pensa “não sou bom nisso, então nunca serei”, estamos diante do mindset fixo. Ele parte da ideia de que habilidades são inatas, imutáveis. Se você não nasceu com facilidade para estudar, matemática, direito ou qualquer outra coisa, o caso estaria encerrado.
Esse tipo de pensamento paralisa antes mesmo da tentativa.
E é exatamente por isso que ele é tão perigoso para quem estuda para concursos.
Inteligência não é ponto de partida, é construção
Tem uma máxima que deve ser constantemente lembrada quando falamos sobre estudos: inteligência se constrói.
Especialmente no mundo dos concursos públicos, o que mais importa não é genialidade, mas processo. Aprender a estudar, desenvolver concentração, errar, ajustar, tentar de novo. Tudo isso faz parte da jornada.
Se você não é bom em algo ainda, isso não significa que nunca será. Significa apenas que você está no começo do caminho.
Sim, pode ser mais difícil no início. Talvez você demore mais para entender certos assuntos. Talvez precise testar diferentes formas de estudo até encontrar a que funciona melhor para você. Mas atravessar essa fase inicial é exatamente o que mantém você no jogo.
Quando o ponto de partida é o zero
Vou usar um exemplo pessoal, porque ele ilustra bem o que significa “sair do zero”.
Sou engenheira de controle e automação. Minha formação inteira foi voltada para exatas. Quando comecei a estudar para concursos, disciplinas como estatística não foram um grande choque — elas já faziam parte do meu repertório.
Mas, quando me deparei com o juridiquês, foi um susto real.
“Diligência?”
“Coisa julgada?”
“Trânsito em julgado?”
Direito, contabilidade, auditoria… eu nunca tinha visto nada daquilo.
Se alguém me observasse naquele momento sob a lente do mindset fixo, provavelmente diria: “isso não é pra você”. No entanto, o que mudou tudo foi uma decisão simples: aceitar que eu não sabia e ainda assim continuar.
No começo, a chance era praticamente inexistente. Mas inexistente naquele momento não significa inexistente para sempre.
Afinal, é preciso ser um gênio?
Primeiro, vamos trazer alguns dados para quebrar o mito de vez, mas vou generalizar um pouco.
Segundo estimativas amplamente divulgadas, um QI acima de 145 já é considerado nível de genialidade. Aproximadamente 200 mil pessoas no Brasil se enquadram nessa categoria.
Agora compare com outro número: existem cerca de 12 milhões de servidores públicos ativos no país.
Mesmo que todos os “gênios” resolvessem prestar concurso (o que não acontece), ainda assim sobrariam milhões de vagas ocupadas por pessoas absolutamente comuns.
Assim, não existe esse pré-requisito oculto de genialidade para ser aprovado. Ele simplesmente não existe.
O que realmente é comum entre os aprovados?
Depois de anos acompanhando alunos e analisando minha própria trajetória, algumas características aparecem com frequência entre quem é aprovado:
1. Constância
Aprovados não estudam “quando dá vontade”. Eles criam alguma rotina, todas diferentes, e seguem, mesmo quando não é fácil.
2. Menos perfeccionismo
Eles não esperam o cenário ideal. Não condicionam o estudo a metas rígidas do tipo “se não der 3 horas, não faço nada”.
3. Muitas questões
Questões de fixação, revisão, simulados. Resolver questões muda completamente a forma como o conteúdo é entendido e memorizado.
4. Revisões estruturadas
Revisar é o que permite acessar o conhecimento na hora da prova. Revisões criam atalhos mentais, fortalecem a memória e aceleram decisões quando mais importa.
5. Pelo menos uma reprovação
Quase todos reprovaram antes de passar. A diferença é que usaram a reprovação como diagnóstico, não como sentença.
Portanto, sentir frustração é humano. O que muda o jogo é sentir, aprender e seguir.
Sua origem não define seu destino
Agora, alguns fatos que costumam surpreender:
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Muitos aprovados estudaram em escolas públicas
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Vários se formaram em áreas totalmente diferentes do cargo
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Pouquíssimos se consideravam “bons alunos” no início
O que eles tinham em comum não era talento extraordinário, mas disposição para construir capacidade ao longo do tempo.
Não ser capaz hoje não é definitivo
Se você chegou até aqui com o pensamento:
“Não adianta estudar por meses, eu não tenho chance por causa de X, Y ou Z”
Talvez não seja a falta de capacidade que esteja travando sua aprovação, mas a crença de que ela é fixa.
Capacidade se constrói. Conhecimento se acumula. Confiança nasce da prática.
E ninguém começa pronto.
A única coisa que realmente pode impedir seu futuro é desistir antes de permitir que ele exista.








